Entre o Paraná e a China: é preciso investir na superação de barreiras

Por Orlando Custódio, CEO da Leyard Brasil e América Latina

Há pouco mais de dois anos, a Leyard, fabricante chinesa de displays de LED, entendeu que era hora de abrir caminhos nos mercados do Brasil e América Latina, por meio de uma subsidiária. Fuso horário, barreiras idiomáticas, aspectos culturais e horas e horas de distância entre a matriz e esses mercados eram as principais barreiras a serem superadas.

Afinal, não é todo empresário que tem condições, disponibilidade e o ímpeto de tomar um avião e ir até a China, ou a Europa, ou os Estados Unidos, para fechar um negócio. O caso da Leyard é emblemático, porque reflete a estratégia de diversas marcas desafiadas pelas especificidades dos mercados locais. São meses e meses de adaptação ao contexto, à cultura de processos, ao sistema financeiro, à legislação e aos aspectos sócio-econômicos.

Um trabalho intenso e muito importante, não apenas para a empresa, mas para o consumidor, que passa a ter uma interface no seu horário de expediente, no seu idioma, na sua cultura e no seu modus operandi – além das facilidades de pós-venda, como serviços de manutenção e garantias diretamente pelo fabricante.

Desde o nascimento da Leyard, em 1995, a estratégia de regionalização dos negócios já resultou em seis subsidiárias, na Europa, Estados Unidos, Japão, Hong Kong, Singapura e Brasil. Somos a mais jovem delas. Chegamos quando as condições econômicas já estavam sensíveis e hoje, assim como todo o mercado, estamos atentos aos impactos da crise política. Por outro lado, colhemos frutos em outros países da região, com o crescimento das nossas operações comerciais com a Colômbia, Paraguai, Peru, México, Argentina e outros.
No Brasil, estamos aproveitando as oportunidades trazidas pelos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, para os quais fechamos projetos com as emissoras NBC e TV Globo.

No final de 2015, a Leyard adquiriu a norte-americana Planar, numa operação que movimentou U$ 200 milhões na Nasdaq. Já são duas fábricas na China, uma nos Estados Unidos, uma na França e estamos inaugurando uma na Eslováquia. Futuramente, a marca pretende instalar uma unidade fabril na América latina. Sobre esse canto do planeta, o que já podemos dizer é que no primeiro ano de operação da Leyard Brasil, o volume de vendas da marca na região cresceu 111%.

Nossa expectativa é que números ainda mais positivos sejam anunciados em breve, apesar da retração econômica. A vantagem de ser uma nova marca nesse mercado é justamente ter espaços a ocupar. Levanto isso em conta, e o fato de a Leyard continuar a investir cerca de 10% do seu faturamento anual em pesquisa e inovação – que é o nosso grande diferencial -, não há porque desanimar. Vamos adiante!